19 Abril, 2008

estante invisível super legal

pra quem gosta de estantes, pra quem gosta de livros, pra quem gosta de faça-você-mesmo e pra quem precisa de mais espaço pra pendurar o conhecimento:

COMO INSTALAR ESTANTES INVISÍVEIS

a dica veio do BLOG DA ESTANTE VIRTUAL e é bem fácil de fazer. o vídeo é em inglês, mas quem não entender o idioma vai entender o passo-a-passo, que é bem visual. aliás, mais visual impossível. a etapa mais difícil do projeto é justamente a primeira: encontrar um livro que tu nunca mais vá ler ou querer ler ou precisar ou que tu te disponha a estragar, que seja grosso o suficiente e que fique bem na estante. já estou aqui quebrando o coco tentando pensar num desses… difícil!

5 Abril, 2008

(Ensaio sobre a) Cegueira

Alguns dos melhores atores (norte-americanos, ok) dessa geração (tem até o meu amigo Danny Glover!), baseado em um dos melhores livros da história (ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA), de um dos escritores mais sensacionais do mundo (JOSÉ SARAMAGO) e dirigido por um dos diretores de cinema (e brasileiro, ainda!) mais interessantes:

Blindness tem previsão de chegada ao Brasil em setembro (o que já está me deixando impaciente). O filme, que já passou por muitos cortes, está na O2 atualmente para a fase de adição dos efeitos visuais pra depois ser finalizado no Canadá. O próprio Fernando Meirelles, bastante avesso a muita tecnologia, acabou inaugurando um novo tipo de divulgação, deixando em blog todo o registro sobre a realização do filme. Bem diferente de muitos blogs célebres, o diário de filmagem de Blindness é um dos blogs pessoais mais bem escritos que já li.

2 Abril, 2008

Koyaanisqatsi

Na aula do dia primeiro de abril eu levei o primeiro filme de uma trilogia de documentários produzidos por Francis Ford Coppola e dirigidos por Godfrey Reggio. O primeiro chama KOYAANISQATSI – A vida em desequilíbrio e é de 1983. O segundo, POWAQQATSI – A vida em transformação, é de 1988. O terceiro chama NAQOYQATSI – A vida como guerra, e é de 2002.

O engraçado é que bem na aula do dia primeiro de abril o tema seria NARRATIVA FICCIONAL. A discussão foi acalorada e girou em torno da questão do real, do ficcional, da verdade, do referente genérico ou particular e todas essas questões mais complexas quando se lida com ficcional x factual. O tema é bastante complicado justamente por ser, aparentemente, muito óbvio. O curta do Jorge Furtado ILHA DAS FLORES, de 1989, é dos filmes que melhor ilustram essa discussão. Em princípio um filme de ficção, Ilha já começa com uma mensagem assim (quadros acompanhados de trilha sonora: O Guarany, de Carlos Gomes, tema de abertura do tradicional programa de rádio A voz do Brasil):

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No primeiro quadro já tem uma provocação. O curta de ficção já avisa que não é um filme de ficção. A trilha sonora nos remete a algo “verdadeiro”: O Guarany é a música de abertura de um tradicional programa radiofônico que remete à notícia e, portanto, à verdade e realismo. O nome do programa, A voz do Brasil, reforça a idéia de que é o povo quem vai falar (ou de que alguém irá falar pelo povo). O filme resgata esse imaginário sobre a música e aquilo a que ela remete para nos reforçar a afirmativa inicial, de que não se trata de uma ficção.

No quadro seguinte, outro reforço e outra afirmativa: “Existe um lugar chamado Ilha das Flores”. De fato, existe. Mas se não existisse, a Ilha das Flores também poderia ser o referencial imaginado para um referencial real, que seria um certo aterro sanitário onde as pessoas recolhem qualquer coisa do lixo pro próprio sustento.

Ao dizer que “Deus não existe” (terceiro quadro), o diretor expressa uma idéia que dá o tom de todo o curta. Embora muitas vezes parecendo mais uma historinha cômica sobre uma determinada coisa (sobre o tomate, o mercado, o lucro, a comida, o lixo), Ilha das flores é um filme fortemente engajado em uma crítica social irônica que já é delineada nesse terceiro quadro. Ele nos provoca a pensar: se existe um lugar como a Ilha das Flores, existirá Deus? Além de engajado numa causa social importante, Jorge Furtado propõe, desde esse início até a mensagem final, uma profunda discussão filosófica a respeito do ser humano e suas necessidades básicas.

Ao final do curta, que, talvez com exceção da dona Anete e do Suzuki, apresenta apenas questões reais, o tom de comicidade aplicado desde o início perde o rítmo para a gravidade da situação dos que vivem dos restos dos porcos na Ilha das Flores. Ao encerrar essa pequena narrativa sobre a condição humana, Jorge Furtado insere, junto à locução em off, um arranjo de guitarra de O Guarany. Em off, o texto diz assim (trecho do roteiro final):

(72) O tomate / plantado pelo senhor Suzuki, / trocado por inheiro com o supermercado, / trocado pelo dinheiro que dona
Anete trocou por perfumes extraídos das flores, / recusado para o olho do porco, / jogado no lixo / e recusado pelos porcos como limento / está agora disponível para os seres humanos da Ilha as Flores.
(73) O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade de escolha de alimentos é o fato de não erem dinheiro nem dono.
(74) O ser humano se diferencia dos outros animais pelo elencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por
ser livre.
(75) Livre é o estado daquele que tem liberdade.
(76) Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não á ninguém que explique e ninguém que não entenda.

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Nos créditos finais, a palavra “verdade” aparece para explicar de onde vem um texto dito (o que encerra o filme), esclarecendo que na verdade aquele texto é um texto ficcional. Assim ocorre com a trilha de Carlos Gomes. Dando autoria ao texto dito e ao fundo musical, Jorge Furtado separa tais sentidos daquilo que ele apresenta como não sendo um filme de ficção. Ele procede da mesma forma com relação aos personagens da dona Anete (e família), sua cliente de perfumaria, o Sr. Suzuki e a aluna Ana Luiza, assim como às locações. Dessa forma é que o filme separa o ficcional de todo o conteúdo mais importante. Ou seja, é só assim que ele pode realmente ser assumido como não ficcional. E isso é reiterado quando o último quadro dessa série diz: “O RESTO É VERDADE”. É assim que o filme se afirma comonão ficção mas, principalmente, que afirma a gravidade de tudo o que mostra.

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Mais sobre Ilha das Flores aqui.

27 Março, 2008

Monografando

tem link novo ali na direita. é do MONOGRAFANDO, um projeto da Comunicação da UFRGS que vai ajudar os monografandos e formandos.

23 Março, 2008

A cabeça do Tarantino

Tarantino’s Mind

Curta que abriu o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, com direção e roteiro da 300ML e produção da Republika Filmes. Simplesmente genial!

11 Março, 2008

Oh, Capitão, meu Capitão

Ser professor é ter visto isso quando era aluno e sonhar em estar no lugar do mestre:

sorry, tá dublado em alemão:

29 Fevereiro, 2008

NO COUNTRY PROS VÉI

Não há cultura, nem tecnologia, nem “evolução” que nos impeça de ser animais. E a vida, pros animais como nós, é matar ou morrer

 

Onde os fracos não têm vez (No country for old men), inspirado no livro de Cormac McCarthy, “Onde os Velhos Não têm Vez”, roteirizado e dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen, acaba de ganhar a disputa entre cinco filmes tão diferentes quanto competentes na 80a edição do Oscar. Levou também as estatuetas de melhor roteiro adaptado, melhor ator coadjuvante (para o espanhol Javier Bardem) e melhor(es) diretor(es). Os Coen também foram responsáveis pela montagem primorosa, a qual assinam com pseudônimo.

O que é inusitado é que o filme foge muito das opções que o Oscar tem feito. Trata-se de uma história árida e não muito fácil de digerir, com um tema e um argumento bastante respeitados dentre os filmes independentes, mas não tanto no circuito comercial. Abafado como os verões, e empoeirado como o deserto, o filme torna a violência ainda mais feia que já é. Ela está impregnada em cada cenário, em cada vida decadente, em cada lufada de ar. A luz fere os olhos e os personagens toscos e brutalizados ferem a alma, e o filme assusta quando nos faz pensar em nossa própria crueldade como também em nossa própria finitude.

De uma fotografia belíssima, Onde os fracos não têm vez é o tipo de filme feito para os cinemas. Ao mesmo tempo, oferece uma filosofia não muito bem digerida pelo público médio, que compareceu ao lançamento nas principais salas de projeção do País em pleno verão, bem no meio do fervo do carnaval. Como tem sido uma tendência dos grandes filmes norte-americanos do momento, a filosofia ganha lugar nos interstícios desse trabalho dos mesmos diretores que marcaram seu estilo com Fargo (1996), também filme de atuações primorosas e de uma violência tratada de forma não usual (basta lembrar do moedor de madeira usado para fins sangrentos sobre um chão coberto de neve). A filosofia está em Onde os fracos não têm vez da mesma forma tosca com que os personagens lidam com suas próprias vidas, mas não se pode dizer que não há nela uma verdade quase de natureza primitiva. O narrador do filme, um xerife acovardado interpretado pelo excelente Tommy Lee Jones, é quem conduz tanto a história quanto a pobre mas realista reflexão de que todos, um dia, estaremos acertando as contas com a morte. Ao mesmo tempo bruto como o próprio Texas, o próprio título original do filme (assim como do livro) já remetem a um antigo dilema da humanidade, tratado por Shohei Imamura de forma delicada em A balada de Narayama (filme japonês de 1982), que é o de que, no mundo cão, carregar os velhos nas costas é para os fracos.

 

Do início ao fim uma peça de poucos amigos, esse filme vai ficar marcado na história do cinema pelas belíssimas imagens, pela forma crua como trata a natureza humana, pela magnífica cena do cara-ou-coroa entre o “vilão” e o dono do posto de gasolina (ali se estabelece o velho jogo imortalizado por Ingmar Bergman em O sétimo selo, de 1957, onde uma partida de xadrez decide o destino do guerreiro) e, principalmente, pelos olhos endiabrados de Anton, que mostram que nós, apesar de qualquer cultura e tecnologia que nos faça crer que somos superiores, somos animais lutando para, de um lado, fugir dos predadores, e de outro, evitar a todo custo que o tempo nos faça cada vez mais fracos.

 

 

21 Fevereiro, 2008

O fim justifica o meio?


Não vou fazer uma retrospectiva de toda a polêmica que BROWN BUNNY gerou em 2003, quando foi lançado. Tanto que no Brasil mesmo o filme só chegou dois anos depois (nós, brasileiros, somos pessoas de moral e não toleramos, sem muita briga, que um filme com sexo oral explícito chegue às nossas telas assim, no más, né não?). Mas esse é um dos poucos filmes que, desculpem, eu acho que fizeram por merecer a polêmica estúpida. Bem no estilo perguntas idiotas merecem respostas idiotas.

São 89 minutos de Vincent Gallo (que fez de tudo no filme, inclusive, pelo jeito, escolher o figurino, que é todo marrom, como ele gosta), da negação à aceitação da perda da mulher (Chloe Sevigny), da negação da culpa à culpa total.

O pior de tudo é que no final, exatamente depois da muito besta cena do sexo oral, mais ou menos ali faltando uns 10 minutos pro filme acabar, o roteiro finalmente ganha alguma justificativa, e o argumento acaba se valendo. Ainda que mega clichê. Desde O SEXTO SENTIDO até outros filmes mais melodramáticos, a questãozinha ATENÇÃO, VOU CONTAR O FIM DO FILME, SAIAM DA TELA AQUELES QUE NÃO QUEREM SABER de só revelar no fim que a pessoa tá morta é a coisa mais banal de se fazer. Não que Gallo eventualmente tenha pensado que, “ow, muito original fazer isso num filme!”, mas se o filme do cara se paga (bem mal pago, diga-se) nesse final, bom… o filme é muito fraco.

Brown Bunny todo é uma montagem de muito entediantes planos-seqüência em que o personagem de Gallo está na estrada ou, em um momento lá que outro, seduzindo fugazmente mocinhas até dar nelas uns beijos e vazar de novo pra estrada. Planos com desenquadramento imperam. O som é a coisa mais irritante que tem, porque é propositalmente baixo pra caramba. Irrita mesmo. Porque se um sujeito faz isso, que é formalismo vazio, e se isso se torna formalismo cheio quando contribui pra narrativa, ok. Mas fazer isso depois que mil já fizeram, e mesmo que isso até digamos que quem sabe contribua pra narrativa, é muito amadorismo. Porque é possível notar que ele realmente pensa que tá fazendo cinema alternativo só por fazer esse tipo de opção estético-narrativa.

Passei Brown Bunny quase todo num fast forward 2x ou 4x, assumindo já que eu tinha pago pra ver um filme só pra conferir a tal cena. O que, convenhamos, é muito idiota, já que acho que até um pornozão de fundo de quintal seria mais bonito. Chegou a cena e eu pensei, “putz, eu paguei por isso?”. Discutiu-se a probabilidade de ser, aquele aparato, de borracha, visto que Gallo esconde o resto dentro da calça marrom, mas mesmo que fosse de borracha (ainda acho que o que faz ele se esconder dentro da calça é a vergonha dos testículos… vai que ele tem só um…), qual a diferença? Saber que a atriz tá ali abocanhando um troço de verdade ou não? Que que tem? Ela de certo já deve ter feito isso com seus namorados (não na frente de câmeras) e com o próprio Gallo, com que já teve um relacionamento.

Aí lembrei de vários comentários, à época, de como o Gallo fez o filme só pra fazer a ex-namorada lhe prestar um último servicinho de sopro. E o pior é que o filme não nega esse comentário da crítica. Por isso, se alguém quiser ver, aviso: é muito, mas muito chato. Não vale nem dois pila na locadora fuleira da esquina. E se for só pra ver sexo explícito, melhor alugar um pornô. Pelo menos a relação custo-benefício é mais justa e a chatura do resto do filme não interfere no clima que uma cena como essa possivelmente poderia criar.

19 Fevereiro, 2008

Juno é um planeta

Vi Juno, filme de Jason Reitman (o mesmo de OBRIGADO POR FUMAR), com roteiro escrito por uma escritora de 29 anos que, diz o clichê do momento, foi stripper (e é blogueira), a Diablo Cody (uma tal de Brook Busey-Hunt). Pra começar, o rótulo de filme indie já me incomodou um pouco. Acho indie pouco pra que nasça um estilo de filme disso. No fim das contas, fica me parecendo: filme indie, viu um, viu todos. Evito, portanto, a classificação. É um filme de estilo notadamente modinha, mas que acaba sendo comparado por aí com uns GHOST WORLD da vida, LITTLE MISS SUNSHINE, AMERICAN SPLENDOR e NAPOLEON DYNAMITE e coisas que tais. Nesse sentido, o que talvez possa fazer o filme VALER é a atuação, um roteiro bacana, um plot bem interessante, ou alguma originalidade. Mas achei Juno a cara de Ghost World, ambos muito pobrinhos, a não ser pelo quesito que talvez seja o mote desses filmes, que é a cultura pop a milhão correndo pelas veias. Já Little Miss Sunshine e American Splendor, completamente pelo contrário, são filmes bastante originais, ainda que um ou outro aspecto pareça manjado (e, sim, é. Little Miss… tem um bem clichê, por exemplo, mas outras coisas superam isso). Não sei bem o que pensar de Juno ainda. Um ou outro momento são interessantes, como a lenta humanização da mãe adotiva aos nossos olhos, a falta de preocupação bastante saudável para com qualquer julgamento moral, estético ou de qualquer gênero entre os personagens (Juno é uma mocinha inteligente e tremendamente conhecedora de uma certa cultura e tem uma melhor amiga líder de torcida, a Leah — personagem cativante, aliás, muito mais, talvez, que a própria Juno; ela é apaixonada por um guri que dá pena, de tão bocabertinha; quando fica grávida os pais não agem de modo convencional, mas também não com negligência… mas nada disso é muito questionado no filme, o que torna Juno, como o gênero (“indie“?), leve. Filme bonitinho, e muito. Mas é só.

19 Fevereiro, 2008

Ainda balconistas

Último filme do Kevin Smith, O balconista II é uma continuação do seu primeiro filme, O BALCONISTA, de 1994. Tão bobinho quanto o primeiro, muito mais pesado que o primeiro, extremamente mais melado que o primeiro, e totalmente o filme de sempre do Kevin Smith, o que não significa que eu não goste. Adoro o cara e adoro os filmes dele. Mesmo sendo os mesmos (a não ser pelo CHASING AMY, que é bem peculiar), os filmes dele valem. Demérito: terem lançado o Ben Affleck. Mérito: terem lançado o Jason Lee. Mérito: serem filmes bons pra geek de cinema ver. Demérito: terem feito a gente agüentar o Jay, que é muito sacal. Pra quem não gosta do Smith, nem dos filmes dele, e nem do conceito todo por trás dos roteiros do cara, o segundo BALCONISTA vale pela discussão entre fãs de Star Wars e de Senhor dos Anéis. Eu, que não sou fã de nenhuma das duas séries de filmes, dei muita risada com isso.